As maçãs rosadas do seu rosto… os olhos castanhos o sorriso belo, fácil e metálico. Era para você que eu estava olhando? Era realmente você? Não ouvia tua voz mas era como se ouvisse, a cada segundo que a olhava, eu me sentia mais naqueles tempos, sentindo aqueles ares, respirando a atmosfera daqueles anos… olhar para ela, era como olhar para você a oito anos atrás.
Passei o dia envolto em devaneios, nessa nostalgia, tão boa, nesse olhar para o passado, para o rosto rosado, que me dava tanta saudade. Sabia eu que isso não ia durar. Fosse o sol embora, cessasse a musica e eu poderia ouvir a sua voz, e fugir do meu devaneio, deixar te atribuir teu rosto a ela, e ver seu verdadeiro rosto, a verdadeira personalidade, e ver que o que eu fazia era muito injusto, tanto com ela quanto comigo mesmo.
E então ela se afasta, senta-se numa poltrona… acende um cigarro. Não, ela não é você, ela não pode ser você. Resolvo me afastar. Agito as mãos em frente ao rosto, para dissipar tanto a fumaça do cigarro quanto meus devaneios. Ela não é você.
E me persegues por que?
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