Arquivado em: Blogagem
Há momentos que a palavra fica engasgada, ou pronta para se atirar pra fora da boca, parada na ponta da língua como se fosse um mergulhador, preparando-se para o salto. Mas às vezes você precisa ponderar, olhar para a pessoa que atirou o gancho, ver se vale a pena agarrar.
Oportunidade. Não deixe elas passarem.
Mas mesmo que eu saiba que eu vou me arrepender depois, quando ela se for, quando mais essa amizade for arrancada de mim (que melodramático) essa foi a escolha certa. Nesse caso não convém.
O porquê talvez eu não saiba… é algo inconsciente, algo que eu sei que vai me dar mais trabalho do que eu estou disposto a ter. Lidando com meu ciúme, com a forte concorrência… e eu não quero mais conflitar com ninguém. Não compensa.
Todo tempo tem suas estranhezas, e essa é a estranheza do momento. Dias e dias vão se passando, e meus sonhos são mais vividos que a minha vida. É preciso realizar algo em um sonho, pra ter certeza de que é isso mesmo que eu quero? Sabe… a capacidade que eu desenvolvi de simular situações e reagir a elas acabou me viciando… como se tudo o que eu vivesse durante o dia não tivesse importância, eu iria corrigir tudo quando deitasse a cabeça no travesseiro. E ficaria tudo bem.
De fato, quando eu tinha uns quatorze ou quinze anos isso funcionou muito bem (independente de isso ser positivo ou não), mas agora aos vinte e sete… parece ridículo. Eu não quero morrer um homem sem cicatrizes. Já dizia aquele verso. Mas parece que é a isso que eu estou fadado.
Um dia eu vou descobrir pra que eu vim a vida. Pra morrer por alguém, para matar alguém ou simplesmente para ponderar como faço agora, para no fim, como diria Omar, o resultado ser sempre o nada. E eu vou me tornando repetitivo. Como é a vida, afinal.
O problema é que a vida simples que eu estou me propondo, é impossível sem que eu me atire justamente ao oposto disso. E preciso mergulhar nessa complexidade estúpida…
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