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Começou a chover devagarzinho, como se alguém fosse abrindo uma torneira. O céu nem estava coberto de nuvens, ainda havia o alaranjado do horizonte, naquela tarde de segunda feira. A Luz do sol refletia no asfalto molhado dando a rua um aspecto de calma, tranqüilidade, em contradição com a pressa da hora do rush, numa cidadezinha que começa a crescer sem se dar conta.
Mas a chuva dava seu toque de calma. E eu pensei: “Se estivesse chovendo a essa hora na semana passada… ela ainda estaria aqui.”
Tenho ensaiado em escrever sobre isso há uma semana. E há uma semana sinto esse incomodo… esse aperto no peito, que não me deixa esquecer. Eu nem a conhecia direito pra falar a verdade. Só um leve e rápido contato durante o curso da auto-escola, e alguns diálogos por MSN e Orkut. De fato eu não a via desde novembro e não falava com ela desde dezembro. Cansada do cursinho, animada com a faculdade. Coisas comuns, corriqueiras para a maioria dos jovens d minha cidade. Trabalho o dia todo, e depois a correria pra chegar na faculdade e não perder a prova.
Mas a pressa fez com que a minha amiga Gabriela perdesse a vida aos dezenove anos de idade.
Um pensamento veio a mim no momento em que soube que a menina bonita que tinha sido atropelada na rodovia presidente Dutra era ela: Se há uma justiça, seja ela divina ou não… ela é sempre indiferente. Continuando na linha de pensamento de Omar Khayyan Não adianta o que você seja, o que você busque, acredite ou defenda… você vai acabar como todo mundo. E que pressa é essa em se diferenciar? Em buscar sonhos que um dia vão se apagar tão rápido como o vento que apaga a frágil chama de uma vela?
E você vai ser só lembrança… na tristeza, na nostalgia, na lagrima dolorida dos que ficaram. A lacuna do dia a dia daqueles com quem você conviveu.
E é aí que o ambiente mais machuca. Crescemos na mesma cidade, dividindo o mesmo cenário. As mesmas ruas, praças e lojas. E pra todo canto que eu olho, eu pareço sentir a tua ausência. Seja nas tardes calmas de um fim de semana, seja na agitação do calçadão ao meio dia.
E porque morrer aos dezenove anos? Uma vida incompleta? Meus últimos dezenove anos foram tão rápidos… como foram os teus?
Só vai ficar saudade, o arrependimento de não te ter conhecido melhor… e os “ses”…
Se ao menos estivesse chovendo naquela tarde de segunda…
Vai com os anjos
Vai em paz
Era assim todo dia de tarde
A descoberta da amizade
Até a próxima vez…
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Caramba… Isso me deprimiu.
Comentário por mikaylla 23 abril, 2009 @ 11:08 pm