Chamo-me Marie. Marie Ann Lilly. Tenho no momento dessa entrevista, vinte e dois anos de idade.
- O que faz? Você trabalha? Estuda?
Eu trabalhava até bem pouco tempo. Num escritório, como auxiliar de um dos executivos. Pode-se dizer que eu era uma secretaria. Deixei o emprego, faltava demais. Também presto serviço voluntário num asilo. Gosto de ouvir as pessoas, e aqueles velhinhos precisam de atenção. Não recebo nada por isso. Há pouco tempo, também comecei a participar de obras sociais coordenadas por minha amiga Patrice Beattie, de um centro espírita próximo a minha casa. Patrice também é minha professora na faculdade de Filosofia.
- Você é espírita?
Não. Não sigo a doutrina espírita ou qualquer outra religião. De fato… sei que Deus, na forma que ele é concebido pela maioria das religiões não existe.
- Você é conhecida por ser uma Médium poderosa, e uma ativa “caça-fantasmas”. Você vê gente morta? Com que freqüência?
Como definir “Médium poderosa”? Sim, eu vejo gente morta. Mas não com tanta freqüência como pode parecer. Não é tão simples assim. Há um canal de comunicação que deve estar aberto de ambos os lados. Não é um fenômeno comum, a não ser que eu queira. Sobre esse assunto de caça fantasmas… bem, eu presto assistência a pessoas que passam por fenômenos que não podem explicar e não sabem lidar com isso. E quando você procura, você pode encontrar.
- Você não sente medo?
Sim. Lido com mágoas, traumas, medos, complexos, ódio, solidão, abandono, culpa… pessoas são imprevisíveis do momento em que nascem ao momento que morrem, e se tornam instáveis emocionalmente quando morrem e não conseguem compreender sua situação. Tudo se resume a culpa.A moral de nossa sociedade esta fundada sobre séculos e séculos de culpa e arrependimento.
- Como você vê esse processo? A morte, a permanência e a possível “ascensão” a algum outro plano? Alias você acredita nesse outro plano?
Prefiro acreditar que há um outro plano. Seria injusto se não houvesse. Por que… pense bem… Qual o motivo de toda a nossa complexidade? Os desafios que enfrentamos em nossas vidas? O aprendizado, as perdas e ganhos, paixões realizações… pra onde vai tudo isso?
Tudo o que somos, são nossas paixões. Quando partimos, esses são nossos “rastros”. A lembrança que deixamos no coração de quem amamos, uma obra que realizamos, seja concreta ou na vida de alguém. Somos isso e é isso que deixamos quando partimos. Mas quando partimos de forma violenta, ou quando temos culpa demais, arrependimentos demais, o que fica… são nossos cacos. Pedaços. Um “fantasma” nada mais é do que uma porção de consciência que não encontrou a paz de espírito. Uma porção de consciência que ainda precisa resolver certos assuntos. Uma porção cética que não aceita o que está acontecendo a sua volta. Eternizam seu próprio sofrimento e causam sofrimento, principalmente às pessoas a quem amou um dia. A assombração que invade os sonhos, que assusta pessoas a noite aleatoriamente não existe. Se você ver um fantasma algum dia, acredite… Você tem alguma a coisa a ver com ele.
- Quando você viu um Fantasma pela primeira vez?
Não foi a muito tempo. Foi a três anos atrás. Minha mãe tinha falecido a pouco tempo, minha cabeça estava cheia de questionamentos… ela morreu num momento em que nós duas não estávamos nos dando tão bem. Eu não entendia sua doença, nem a necessidade que ela tinha de minha presença. Ela era uma mulher forte, sempre foi. Então, eu acho que eu pedi para que quem me visitou naquela tarde viesse. Queria que fosse minha mãe, mas foi uma pessoa ligada a mim, mas não nessa vida, nesse ciclo.
Ela bateu a minha porta e no momento em que a vi, eu a reconheci e sabia que quem eu estava vendo não podia estar ali, a não ser que eu quisesse. Ela não me respondeu, ela não me olhou nos olhos. Eu fechei a porta e entrei em casa, quando dei por mim, ela estava sentada a minha espera na minha sala de visita. Não senti medo, apenas espanto. E o incomodo de saber que a conhecia, de que ela foi uma pessoa importante pra mim em algum passado. Ouvi seus lamentos, suas acusações. Mas… não quero falar sobre isso.
- Tudo bem. Mas, você então acredita em vidas passadas, reencarnação?
Eu volto a lhe questionar: Qual o sentido de tudo o que fazemos senão o aprendizado? A evolução? Portanto, sob esse aspecto, e baseada em minhas próprias experiências e sensações, eu lhe digo: somos ciclos. Como tudo na natureza o é.
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“Se você ver um fantasma algum dia, acredite… Você tem alguma a coisa a ver com ele.”
…. Caraio.
Comentário por Mikaylla 24 Abril, 2009 @ 2:24 pm