Notes of Tralhas


Meus Bons Amigos
16 novembro, 2009, 8:28 am
Filed under: Blogagem | Tags:

Meus bons amigos, onde estão?
Notícias de todos quero saber
Cada um fez sua vida
De forma diferente
Às vezes me pergunto
Malditos ou inocentes?

As vezes você folheia seu velho album de fotos, ou passeia por seu arquivo de fotos no computador e se depara com a cena. Você rodeado de amigos. Todos sorrindo, o punho em riste em direção a camera, saudando o momento.
Amigos devem ficar por perto.
Já disseram que são a familia que você escolhe para você.
Mas no instante seguinte, você se pega olhando para cada rosto naquela foto e pensando que, nossa, faz tempo que não nos vemos.
Aquele amigo inseparavel da adolescencia casou, e não te convidou. A sua paixão de sempre viajou, mora a dois anos no exterior e não tem previsão, nem vontade de voltar. Aquele seu amigo de bebedeira, agora num relacionamento serio, nem liga mais para os amigos.
Os amigos de trabalho vão deixando a empresa, e se antes as trocas de email eram constantes, engraçadas, agora não passam de mera formalidade, aquelas mensagens encaminhadas com mensagens chatas, religiosas. E esses amigos até se esquecem que você não é religioso. Você convoca happy hours e recebe desculpas como resposta. Ou nem recebe resposta.

É o fenomeno das amizades sazonais. Os interesses mudam, as circunstancias são outras, e o companheirismo deixa de existir. Algumas pessoas renovam seu circulo de amizades anualmente, ou até mesmo em menos espaço de tempo, porque lhes convém, talvez. Para outras, sobra o suspiro, a saudade e até a lagrima vez ou outra, quando você se da conta que nada vai ser como era antes entre você e esses amigos. Você pode até receber um convite de casamento aqui e ali, topar com um ou outro numa fila de supermercado, e se dar conta de que essas pessoas não são mais as mesmas. Ou pode receber, perplexo, a noticia de que aquele outro amigo, conhecido por ser um piadista, talentoso grafiteiro, se jogou na frente de um trem, culpa de um coração partido tomado de cocaína.

O rodo cotidiano agrava a sazonalidade das amizades. Todo mundo atarefado, todo mundo com metas a cumprir. Todo mundo com contas a pagar. Todo mundo tocando a vida.

“Po a gente precisa reunir a velha turma”

Então você suspira, enfia a mão no bolso e dá de ombros. Velhas turmas nunca se reunem, continuam sendo só aqueles rostos numa foto perdida no seu album de memorias.


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