Que raios entendo eu de cinema?
Já me fiz essa pergunta em outra resenha que fiz sobre o firme “Cinema Aspirinas e Urubus” que repete a velha formula do agreste exótico, num filme desgraçado de modorrento.
Enfim… eu posso não entender bulhufas de cinema porém, sou um espectador bastante chato.Talvez por eu ter essa “veia” artística bem forte, talvez por eu estar sempre inventando historias… talvez por uma certa frustração de não poder de fato dar vida a essas histórias…
Pois bem, eis que eu fui ver o badalado “Onde os fracos não tem vez” que papou quatro tiozinhos carecas dourados esse ano.
Quando eu vi o Trailer desse filme eu esbocei alguns sorrisos, fiquei interessado pela história e também por umas tomadas de câmera bem maneiras.
Sentei-me no sofá com uma garrafa de Erdinger Pikantus me fazendo companhia ( Eu baixei o filme, atirem a primeira pedra.) com uma boa expectativa praquele sábado a noite sem nenhuma expectativa.
E logo na primeira cena eu gostei do que vi. Narrativa sutil, silênciosa… eu sou da opinião que silêncio e expressões são mais do que suficiente para contar uma historia, detesto coisas obvias demais… dei um pontaço positivo para o filme por isso. Porém, cenas violentíssimas permeavam a perfeição dessa narrativa sutil…
O filme traça um paralelo entre a natureza de dois homens, o mito e o comum. O assassino perfeito na pele de Anton sei lá o que… que atravessa o cerebro das vitimas (e fechaduras de portas…isso é sua marca registrada no filme todo) sem deixar vestígios, com um cilidro de ar usado para matar bois. E Llewelyn Ross… o homem comum.. o interiorano estadunidense, que caça gamos nos agreste (hauhau) e que por sorte ou azar encontra uma maleta com dois milhões de dólares entre cadáveres de traficantes de drogas mexicanos…e acha tudo isso extremamente normal.
Alias essa sensação de que tudo o que se passa com os dois personagens é absolutamente normal e plausível, como eles parecem saber o que fazer antecipadamente em todas as situações tensas do filme é bem marcante. É como se Llewelyn Ross sempre tivesse escondido valises com milhares de dólares em dutos de ventilação, ou como o assassino psicopata sempre que quisesse distrair a atenção dos outros para cometer um simples furto em uma farmácia, explodisse carros… alias essa cena é linda. Digna de sonoros “puta merda hein?”
Os diálogos entre o xerife não me lembro nome, (incrível como sou deficiente para lembrar nomes de personagens em alguns filmes… rs) interpretado por Tommy lee Jones, um homem cansado e conformado com a realidade do mundo cruel em que vivem e seu assistente, inocente, entusiasmado (o seu “Meu deus xerife temos um agravante!!!” É hilário…rs), dão a perseguição entre Ross e o psicopata ares de lenda do velho oeste.
E é através dos olhos do xerife que acompanhamos o desfecho da historia. E é aí que ao meu ver o filme se perde um pouco. Como se de uma hora pra outra resolvessem acabar com o filme de uma forma maneira, sabe qualé?
Não vou dar spoilers aqui… mas me deixou com uma expressão “Tá e Daí?” no rosto. Para um filme que trata de lendas, a maneira lugar-comum com que ele acaba é um pouco decepcionante.
Mas em contrapartida, a maneira com que se deixa questões em aberto para que você interprete é bem legal. Se você prestar a atenção nos personagens, no modus operandi de seu psicopata, você saca como a historia termina.
E acaba achando tudo normal e plausível.
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Cabeça baixa.
Atenta ou desatenta. Só sei que não me presta a atenção.
Tem sorriso que me ilumina. Olhos claros, não sei de que cor.
Pois ainda não olhei para eles.
Só sei que brilham.
E que não me vêem.
Sou opaco.
Minhas idéias acabam sufocando-se.
Importância que me bate a porta.
Pendências… palavra nova.
Rostos sérios, metas a cumprir.
Agendas, números e nomes…
Sou opaco.
Noites curtas, sonhos intensos…
Alguma coisa está pra acontecer.
Quem dera os sussurros que ouço
Fossem daqueles olhos que não me vêem,
Ao invés de cobranças…
homens de celular no ouvido
Roupas sociais e rostos austeros…
Sou opaco
Decoro números.
Devoro sabedoria chinesa
Pra distrair…
Absorvo sentimentos
Descarto oportunidades
Apoio-me na indiferença…
Seja a minha ou a dela
Sou opaco
Novo e velho
Ontem e hoje
Amanhã não importa
E todos os dias sou julgado
Se condenado não importa
Pois sou opaco…
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Alguns podiam até chama-la de teimosa. Mas com certeza concordavam em uma coisa: Era uma muher dedicada.
Mãe protetora, senhora rechonchuda. Se carinhosa com os seus não sei dizer. Religiosa fervorosa, talvez fosse bela no passado, dada a beleza de suas três filhas, naquela época era uma senhora de rosto redondo e simpatico, bochechuda, como dizia sua netinha.
A Casa era simples, porém bem cuidada. Dona de casa cuidadosa, raramente saia.
A Cadelinha vira latas de latido ardido ficava sempre presa na varanda. Não por maldade, mas por falta de espaço. As filhas queriam um cão, mesmo o pai odiando cães, a mãe, a senhora obestinada com sua lógica “Criança gosta de animal mesmo” e o pai trouxe a cadelinha.
Nunca soube o nome da criatura, eu só me referia a ela por ”Cadela”, dia e noite,noite e dia, chuva ou sol, estava a latir. Para quem quer quer fosse. O guarda noturno, as amigas das donas, carteiros, entregadores de pizza, crianças em algazarra pela rua, o proprio dono, meu gato… eu mesmo.
Não há política de boa vizinhança que aguente esse tormento, temos que concordar. Estava no meu direito de reclamar, fui lá, bati palmas e a mulher veio me atender, secando as mãos no avental florido, me sorrindo com aquela simpatia maternal que me desarmava no exato instante. Mas fiz minha reclamação, ao que ela lançou um olhar misto de pena e indignação para a cadela, e outro para mim e disse, inabalável “Ah, Cachorro late mesmo”…
Eu ri um riso meio indignado… pensei pensei e pensei, e não consegui encontrar argumentos que derrubassem tal logica. Sim, cães latem. É da natureza de cães latir, ainda mais quando presos. Olhei para a cadelinha estridente, que abanava freneticamente seu rabo fino, com a cabeça inclinada olhando para a dona. Olhei para a mulher, que retribuia o olhar a sua cadelinha… enfim, nada disse. Dei de ombros e voltei pra casa.
Cachorro late mesmo. Toda vez que a criatura começava a latir era isso que eu pensava. E novamente não conseguia encontrar argumentos que derrubassem essa logica inabalável.
até que um dia, resolvi ser terrorista. Na falta de coragem de, efetivamente dar um fim aquela criatura, como quem nao quer nada me aproximei e… soltei a coleira do animal.
E lá foi ela, com suas pernminhas curtas correndo pela rua abaixo… “LIberdade!!!” parecia gritar… eu com minhas mãos no bolso, ja com um pequeno remorso me remoenado a alma… pensei no rosto lindo da filha do meio da mulher, a minha preferida, e cheguei a brilhante conclusão de que soltar a cachorrinha de estimação dela não faria bem nenhum para minha imagem, e mesmo se ela nao descobrisse que fui eu, o autor dessa maldade, eu não conseguiria viver com essa culpa.
Bati a porta da mulher novamente, novamente ela me atendeu com seu sorriso simpatico, novamente de avental, secando as mãos… disse que a cadela tinha… fugido, e corrido rua abaixo com todas as suas forças… ao que ela respondeu:
“Ah.. cachorro corre mesmo”
Olhei pra ela, os olhos arregalados. Ela calmamente assobiou, a cachorrinha, que cheirava uns sacos de lixo lá em baixo na rua, subiu correndo sem pestanejar, entrou na varanda e pos-se a rodear as pernas gordinhas de sua dona.
Voltei pra casa com mais uma batalha perdida.
Cachorro corre mesmo. Ainda mais quando passa os dias presa na varanda latindo sem parar. Me conformei com isso. Nada era extraordinario, nada parecia sair do controle daquela mulher, eu ficava remoendo essa situação e tentando encontrar brechas por onde poderia dialogar… passaros, o vidro do meu carro sujo “Ah passaros cagam mesmo”… crianças brincando de bola na rua, uma vidraça quebrada “Ah criança faz bagunça mesmo” ou “Ah vidros quebram mesmo”… seu marido chegando atrasado do plantão, deixando a familia esperando no jantar de sabado a noite “Ah Homem se atrasa mesmo”…
Certa noite cheguei do meu trabalho, conformado com minhas derrotas, a meia noite já batendo as portas, estava lá a menina do meio, linda com suas bochechas radiantes num sorriso misto de malicia e alegria. Pobre de mim, cai apaixonado em seus labios, nem o barulho obvio da porta se abrindo, e dos passos em tom de sandalias havaianas no chão de concreto nos distraiam… a cadela latiu, a mulher bradou. A menina corou ao ver a mãe, os braços ao lado do corpo, batendo o pé, voces tinham que ver, parecia cena de desenho animado, eu já começava a rir, esboçando a minha propria retórica imbativel. A menina tomou bronca, entrou pra casa, a mulher me olhou e me perguntou onde que eu estava com a cabeça, era uma menina, adolescente…eu sem pestanejar respondi:
“Ah minha senhora… adolescente se apaixona mesmo…”
Ela vermelhou-se no ato, as mãos se enrolaram no avental florido, os passos se alargaram em direção a porta que se bateu com furia. Eu ri. A cadela Latiu.
Havia vencido a batalha enfim.
Quando acordava naqueles tempos a primeira sensação do dia era a angustia. O aperto no peito, a sonoridade da voz dela ecoando em sua mente a negativa. Depois a pergunta…não serei eu bom o bastante?
Depois disso vem a auto analise, sempre tão agressiva. Contra si mesmo, inumeros argumentos, como se fossem palestrantes em um quadro negro, listando as fraquezas… e tenta lembrar suas qualidades, sua gentileza, suas palavras veladas, seu carinho e seu talento… mas nada disso parece pratico o bastante para ela.
A pior parte é a comparação.. ele é mais feio, mais burro e talvez não sinta por ela o minimo carinho que sentia por ela na ocasião.. porque ele?
Não encontra resposta, só angustia. O aperto no peito é ao mesmo tempo opressor e acolhedor, como que a mácula o lembrasse que um dia ele fora capaz de cultivar tal sentimento por alguém.
Esquenta o chá, senta a mesa, lá fora frio, chuva fina que cai sem parar… até o tempo parece estar chorando com ele, como dizia o velho clichê. A cabeça pende sobre a mesa, apoiada em suas mãos, o olhar se perde na janela.
Se para cada final feliz, existir no mundo pelo menos duas pessoas infelizes… dois vilões para cada caso de amor. Riu da sua constatação e deu de ombros. Dores de cotovelos movem o mundo, meu caro. Tomou o chá entre suspiros, a fumaça quente parecia lhe acariciar o rosto, desmanchar as rugas da testa sempre franzida. A Chuva cessava. Um bem-te-vi via ao longe.
Tristeza que acolhe. que perdura. se a felicidade fosse quem durasse ela não seria tão especial. A tristeza acolhe, após a zombaria da tal da felicidade. Escolhe a dedo qual lagrima vai rolar, e ela valerá a pena um dia.
Dois vilões para cada beijo ao por do sol. Duas tristezas.. dois corações partidos.. duas injustiças.
Dores de cotovelo movem o mundo. Repetiu.
O homem de sete decadas desce a escada, lhe sorri com simpatia, com a simplicidade de avô. Pega uma pequena xicara e a enche de um café tão preto quanto deve ser. A imagem de seu bigode modelo anos quarenta beberiscando na xicara é engraçada. Docemente nostalgica. Ele também tem a testa cravejada de rugas, mas cada uma parece carregar tanta sabedoria… ele fecha os olhinhos cansados e suspira ao aroma daquele café.
Ele compartilha com o velho avô as suas indagações. O velho da uma risada preguiçosa e sonora, mostrando seus dentes brancos. Depois diz, olhando para cima, como quem consulta suas sete decadas…
“Fui vilão e fui heroi…mas nao me importo com o que recebi em troca… você tem coragem de cobrar sentimentos mas não de mostra-los…”
Continuou rindo, pegou seu chapéu, abriu a porta e antes de sair ainda disse “Sou passageiro e vez ou outra estendo a mão pra fora da janela… assim ao acaso as vezes alguém me pega a mão. E a beleza disso ofusca… quem vai pensar na tristeza do outro? daquele que debruçado na janela vê o mundo passar… não arrisca as mãos pra fora da janela?
Volta a molhar a rua. O avô esquece o guarda-chuva, ele se apressa em leva-lo. Sem perceber que na janela ao lado da sua, ela se debruça, estende as mãos como quem quer pegar a chuva. Ela vê o neto e o avô andando no patio, sorri um sorriso cumplice de carinho e também de leve tristeza.
“que importa a ele a tristeza do outro?”
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Meu céu é sujo.
Manchado de beleza.
Do azul escuro passando ao alaranjado, torna o azul claro num negro cravejado de estrela…
E há quem se preocupa com o céu alheio.
Sujo de tristeza.
Manchado de inveja.
Escuro e húmido sem cor nem cheiro, tons de cinza se amontoando.
Denso nevoeiro.
Eu me preocupo é com o dia em que meu céu se tornar chuva
E me devolver as lagrimas.
E as gotas em meus rosto tornarem-se amargas.
Enquanto isso meu céu é sujo.
Manchado de nuvens brancas.
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Tem um tempo em que a vida é boa.
Sonhamos, vimemos sonho, fazemos sonho…somos sonho.
Depois vem o mundo. querendo nos ajustar. E ele parece não caber em nós, e muito menos nós nele.
E quando finalmente nos encontramos com quem somos, descobrimos que não podemos mais viver para nós mesmos.
Quanto mais para nossos sonhos…
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Vi isso no Blog do Cartunista Bennet, e resolvi copiar…
dez coisas que (acho) só eu sei:
1 – Na inauguração do Supermercado Piratininga no Jardim satélite (sao josé dos campos) em 1986, estavam eu e minha mãe na fila, quase na nossa vez um dos caixas simplesmente parou de funcionar. A funcionária ficou apavorada. Uma outra funcionaria apontou pra mim e me acusou ( é…eu tinha 4 anos…) e a menina do caixa disse “não, não foi ele não”. Bom…fui eu….heheheh…criança é foda.
2 – Porquinhos da Índia são canibais
3 – Formigas e Fuínhas se uniram num plano maquiavélico de conquista mundial. Cupins e Ornitorrincos são simpatizantes dessa causa. Para nossa sorte, as zebras ainda não aderiram ao movimento.
4 – Ao contrário do que a maioria pensa, a maior invenção do ser humano não é a roda. Mas sim os aparelhos de Ar condicionado.
5 – A natureza funciona em ciclos. E assim o é nossa existência. Você já andou pela terra antes, e voltará a andar. Enquanto não estiver aqui, estará num “plano” chamado ” O lugar da sua consiencia” aonde, entra outras coisas, ficará sentindo suas memórias num lugar chamado “Salão da contemplação”. É para isso que existimos, para saborearmos nossas emoções. (Mais detalhes em “O andarilho” meu conto, breve, num site perto de você.)
6 – Galáxias em expirais na verdade são imensos Ralos.
7 – Os filtros do photoshop são extremamente toscos.Nego se preocupa demais em sequencias de filtros, mas o resultado final será sempre tosco e plastico. Tudo o que é feito com filtros fica genérico, com a assinatura da Adobe. Fabio Lody, colunista do site Imasters é o senhor Genérico.Texturas funcionam melhor no modo “Luz suave” de blendagem de camada. A Pen tool é inutil, com um pouco de paciencia consegue-se resultados melhores (e mais personalizados) usando-se simplesmente “brushes” como borracha.
8 – Quando eu tinha 11 anos, eu estava brincando de jogar bola no quintal. Nessa epoca, eu tinha duas gatas, uma cinza de uns 4 anos chamada “Fuzzball” e uma ciamesa de uns 4 meses chamada “Laleska” (é…por causa daquela novela), Fuzzball tinha dado cria e entao, haviam uns 8 gatinhos correndo ao meu redor enquanro eu rolava a bola. Uma hora, eu dei uma bica servida na bola, que acertou em cheio a Laleska. A gatinha caiu dura no chão. Fiquei desesperado, eu juro…a gata estava morta. Não sabia o que fazer, fui para o meu quarto e comecei a chorar. Voltei para o quintal, e a gata continuava lá… esticada… cheguei perto dela, chorando, me ajoelhei e pela primeira e unica vez na minha vida eu rezei de verdade…não é que a gata levantou de um pulo, sacudiu a cabeça e voltou a brincar?Pois é…hein? se me converti? Fazem mais de 10 anos que nao vou na igreja, e hj tenho em mente que a gata tinha apenas desmaiado…rs
9 – Só se ama uma vez. Todo o sentimento que vier depois não terá nem a casca do anterior, ainda mais se esse sentimento ainda não morreu.
10 – Eu não sei mentir.
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Quem entende o mundo?
O sol se esconde atrás das montanhas bem devagar, e a gente aqui apressado, vai perder o horário!
Quem quer entender o mundo?
A rodovia não para, feito veia sangrada, não pode, não deve parar!
Enquanto a familia de passarinhos se recolhe ao ninho, esperando a noite…bem devagar.
Quem quer a contramão do mundo?
Eu e você num abraço longo, aperto caloroso, sem pressa alguma?
Bem devagar…
O devaneio sem pretenção de soar
O passo lento sem direção certa
Sem o dever de chegar
O algum lugar pode esperar…
Que eu chegue…bem devagar…